Irreverente e revolucionária, feliz e infeliz, submissa por condição, mas independente por opinião, porque sou mulher com todas as incoerências que
fazem de nós, o forte sexo fraco.
{More?}



Não sei o código do lastfm :b depois tu me passa.



Mireille Mathieu Fanny Ardant
Marcello Mastroianni Federico Fellini
Carmen Miranda Ronnie Von
What ever happened to Baby Jane? 8 Femmes


me passa os links tbm x.x



Janeiro 2008 Fevereiro 2008 Março 2008

Que besteira você feissssh?



Estou com uma caneta e um papel na mão. E vou escrever sobre você, minha amiga, dona de casa, insatisfeita com sua vida! Se você é do tipo que não vive a vida apostando, não se preocupe, este problema não afeta apenas a sua pessoa.

Primeiro não adianta querer virar a Amy Winehouse dos pobres. Porque nem dinheiro para comprar pó você tem. Portanto teria de apelar ao talco, que definivamente entope as narinas. Então esqueça essa idéia maluca de rebelar-se contra o sistema, lembre-se que a diferença não está na embalagem, mas sim no conteúdo. Você pode continuar a Marie Curie, coisa que nem todos conseguem compreender.O mundo está cheio de gênios incompreendidos. E nem por isso eles deixam de ser mais charmosos que a maioria. Pelo contrário, o charme concentra-se num cérebro grande e super desenvolvido.

E sem bebidinhas, por favor. Dar bafão é uó. Não acredite na Elizeth Cardoso que diz que bebida não faz a ninguém, lembre-se que no tempo dela não havia essas tecnologias de atualmente. Acho que você não quer ter cirrose ou esteatose no futuro, digo isso por experiência própria. Já viu a Liz Taylor ou a Anne Bancroft bebendo em posto de gasolina? Por favor, não rebaixe-se, beber apenas socialmente e um vinho tinto, Salton de preferência, como você me disse uma vez que gostava. Não irei comentar sobre cigarros, é capaz de você pensar na possibilidade de entupir o pulmão de nicotina, então calarei a boca.

Ah. Todas as pessoas que tem um ídolo, obrigatoriamente ficam chatas, insuportáveis. Este é outro conselho meu, não tenha nenhum ídolo que não seja você mesmo. Cultivar amor próprio está na moda. Senão você vai gastar rios de dinheiro e atenção, devorando, ensurdecendo os ouvidos, imaginando viagens com a criatura, coisa que a gente sabe bem que sem o "din din" não irá acontecer. Ter admiradores, é nisso que você tem que pensar.

Quanto as calcinhas enfiadas na bunda: péssimo gosto, trash, tudo de ruim. Se tu me aparecer com uma dessas enfiada no rabo, eu tacarei fogo! Deneuve só usa calcinhas chanel/victoria's secrets e joga fora todas no mesmo dia que as usa. Não quero que aça isso, mas entendeu o que eu quero dizer né? Melhor assim.

Por último: a originalidade e a individualidade ainda são tudo. O céu é azul, mas você poderia continuar o enxergando rosa.

 postado por Ana & Jessica
quinta-feira, 6 de março de 2008, às 12:28

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Piaf no céu e Marion Cotillard na terra



Tenho problemas. A empolgação é tanta que mau consigo colocar as palavras em ordem. Eu, uma pessoa muito mau humorada, invejosa e cheia de defeitos que sou, nunca apreciei ver o Oscar, sempre achando uma besteira, nenhum ator/atriz que gostava era indicado e só havia espaço para filmes americanos enlatados. Sendo assim anualmente, desligava a televisão no final de fevereiro ou de março para não estressar-me com as injustiças hollywoodianas.

Aí fui ver "Piaf - um hino ao amor" no cinema com a Maria, nas férias, mais precisamente em janeiro. O cinema abarrotado de gente mais velha, que olhava-me como se fosse uma afronta uma pirralha ( ter 16 anos e parecer ter 13 ainda é um trauma para mim) gostar da Sra Edith Piaf. Relevei os olhares perversos, pois dei o troco logo após o começo do filme, cantando todas as músicas com meu francês deficiente. Bati os pés de acordo com a levada de La Foule. Chorei com todas as forças em L'hymne a l'amour. Cada música causava-me uma sensação diferente, minha alma se cobria de êxtase de sensações. Parecia que eu jamais havia visto um filme na vida. E realmente foi o que aconteceu.Não se esqueçam quando Edith faleceu, nem minha mãe era nascida. Sorvia goles enormes de água, tamanha a afobação, empolgação em que me encontrava. Acabou o filme e entre tantas perguntas, haviam duas que martelavam em minha cabeça. Uma delas tinha uma resposta. E a outra não.

1. Porque o filme demorou tanto para sair? Estavam esperando eu ficar mais fã da Dona Môme, desde 2006 não é tempo o bastante? Este é o típico pensamento do egoísta.

2. Essa atriz que fez a Edith, Marion Cotillard, vai ter que ganhar o Oscar. E isso não é uma pergunta e sim uma afirmação.


Tive a resposta algumas semanas atrás. AND THE OSCAR GOES TO... MARION COTILLARD! Mamãe deu um grito. Eu corri para o quarto. Minha felicidade estava completa. Edith Piaf cantava no céu La vie en rose enquanto Marion agradecia pela estatueta. Modéstia nessas horas não cola, né gente?!



Ps: Marion é a primeira atriz francesa a levar o oscar depois de Simone Signoret por "Almas em Leilão" de 1960. Entendem porque eu não assisto ao oscar?

 postado por Ana & Jessica
segunda-feira, 3 de março de 2008, às 13:40

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Lado B da vida



Eu não consigo me inspirar com uma música mais parada. Não adianta, para sair alguma coisa decente que vocês possam ter gosto de ler (ou não) tem que ser, mas tem que ser músicas trash's ou no mínimo que dêem para dar boas risadas. Como a Deneuve cantando. Não que seja ruim, pelo contrário, ela como diva é CLARO que tinha que dar-se bem nas notinhas musicais. Porque Deneuve É Deneuve. Como un femme est un femme. Acontece que sempre tive algo contra essas atrizes que do nada, resolvem colocar um adesivo bem grande na testa dizendo "Sou bombril, com mil e uma utilidades!". Abrindo uma excessão para Deneuve claro e Fanny Ardant, mas para todos os efeitos odeio todo o resto. Voltando ao assunto principal, para que vocês entendam, sou cheia dos "toc's" na hora de escrever. Como: na metade da música colocar a mesma de volta ao começo (remonta os velhos tempos da fita do Pe. Marcello Rossi), cantar fora do ritmo e por último caminhar pela casa em busca de uma idéia brilhante. Fracassei em todos os quesitos citados.

Então começei a recorrer a pérolas musicais, passando de Magal até Silvinha, numa facilidade que era desconhecida por mim mesma. Eram como aquelas pílulas que a Lynette tomava (Desperate Housewives, um dia farei um post comentando da surpresa que este seriado causou-me) : parece que tudo vem num estalar de dedos! Assim não sei se escrevo, mudo de música ou apago tudo. Isso quando não dá vontade de dançar, agora mesmo dançei até o banheiro para buscar um cotonete. Mas e quando vem a abstinência? São os piores momentos. Fico ho-ras na página do blog. E saem coisas como "Modern Style", um conto de madrugada (nota-se pelo contéudo, incluem-se risadas aqui), que um minuto depois de tê-lo postado, arrependo-me amargamente. Isso dura no máximo cinco minutos, logo após tudo fica muito lindo. E até porque estes dias, achei num blog uma foto que deu-me mais certeza de que tudo que escrevi em "Modern Style" são verdades incontadas. Por enquanto. Talvez estas verdades irão pro túmulo, mas os contos ficam. Isto é assunto para um outro post.

Segue o Top 5 músicas trash's que servem para alguma inspiração:


1. Hinter Den Kulissen Von Paris - Mireille Mathieu

2. Der Pariser Tango - Mireille Mathieu

3. Hit the road Jack - Buster PointDexter

4. O meu sangue ferve por você - Sidney Magal

5. Sandra Rosa Madelena - Sidney Magal



E para fechar:

VAMOS AMIGOS, UNIDOS VENCEREMOS A SEMENTE DO MAL!

O lp do Trem da Alegria tá mofando na casa da minha vó.

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 postado por Ana & Jessica
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008, às 11:59

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365 dias = 5415454 anos



Precisarei de muita paciência. Esqueci de colocar isso em minha lista de pedidos para 2008. Paciência é algo que não faz parte do meu vocabulário, das quais eu sei muito bem as causas. Tudo começou no dia em que me dei conta de que o mundo não poderia ser do jeito que eu queria. Depois desta triste descoberta (equivalente aquela de que papai Noel não existe) a impaciência foi aumentando, como bola de neve, até que fui engolida pela mesma. Agora alem de ter nove dedos bonitos e um roído, meu formato tornou-se redondo.

Depois de dez anos, que passaram-se como a propaganda da novela das nove, vou ser engolida pela selva que eu mesma criei. Aonde os leões não rugem, mas gritam. E praticam satanismo, proferindo palavras das quais eu finjo não saber o significado. Achei que seria devorada no mesmo dia em que penetrei nessa selva, tão veterana, mas ao mesmo tempo tão desconhecida para mim. Já que sou uma bola de impaciência, porque não posso rolar e sair logo desse pesadelo, que nem em minhas piores noites de sono sonhei, tornou-se realidade?! A verdade é que estou presa em minha gordura, essa bola de neve, que vem arrastando-se a nove anos, dez quem sabe, mas que agora parece estar prestes a explodir. E ter a voz soprano, talvez mezzo e gritar que odeio todos, mas com tanta força, que isso chega a reluzir dentro de mim. Mentira. Não odeio.Isto é um devaneio passageiro, fruto de uma noite não dormida. Levei um chute no estômago, estou tentando colocar as idéias pra vocês, mas os sentimentos são tantos, que espremem-se, tornando-se meras palavras sem nexo algum para os outros.

Nunca achei que pudesse dizer isso, mas eu quero meu passado de volta. Aonde está aquela galera muito louca correndo pelos corredores? E a biblioteca, a Rita, cadê? Minha horta, que alimentava-me, aonde está? Devem ter ido para um solo mais fértil. Será que não seria hora de buscar um outro solo? Essa selva está cheia de pedaços férteis, então porque continuo parada no mesmo lugar? Ah sou uma bola de impaciência, a locomoção é difícil. É essa arte de justificar tudo com alguma desculpa esfarrapada, do tipo "não fiz tal coisa porque o tempo fechou, blá blá", já sou diplomada, doutorada e até pós graduada. Vou justificar a vontade de ficar parada dizendo que o passado era melhor e que enquanto puder conviver com ele sem prejudicar meu presente tudo está ok.

Sendo assim, vou alterar tudo. Prefiro acreditar que em dos trechos de Non Je Ne Regrette Rien, se fala "comprei balas em Portugal e você não gostou". Isso nada tem a ver com o texto em si, não leiam esse texto, ele não tem lógica.



Todos tem veneno. Mas existem pessoas que não têm soro antiofidíco nas veias. Isto realmente encaixa-se a minha pessoa.

 postado por Ana & Jessica
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008, às 12:33

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Rehabe pra mim, pra você...



A minha labirintite não deixava-me parar em pé, eu girava, girando, girando OEEEEEEEE. Irei desmaiar em ritmo de festa. Poderia deixar a minha marca no carpete, mas vomitar seria uma falta de educação, tendo em vista que estava no meio de gente que não conheco, poderiam levar-me presa por "denegrir o patrimônio público". Sem saída, liguei o mp3, para não ter a mínima chance de sociabilização com os outros. Mas ao apertar aquela porcaria, aquela merda, para tocar a música, uma das minhas unhas postiças caiu.

- MERDA DE 1.99! - eu gritei trinfal.

Tentei colá-la, mas não teve jeito. Agora eu tinha nove dedos bonitos e um dedo defeituoso. E era o dedo médio, não tinha como disfarçar. Praguejei o 1.99 até não poder mais e nessas horas é engraçado porque parece que existe uma trilha sonora para salientar este momento infeliz, mas ao mesmo tempo muito oportuno para queme stá de fora e pode se matar de rir. E tocava Hit the road Jack, no more, no more, no more. Cole a unha, senão vai se passar por pobre, pobre, pobre de marré marré! Passei cuspe na unha, apertei-a e desisti. Só a cola super bonder poderia resolver e eu sabia que teria que atravessar um oceano se quisesse conseguí-la de volta.

A fila andou, eu fazia carão de Norma Desmond para disfarçar minha revolta com o mp3, as unhas de plástico e a cola super bonder. Por sorte, estava com minha melhor roupa e meu cabelo havia sido cortado de graça numa dessas escolas bonitas. Disso não havia nada a reclamar. Foi até uma surpresa ter sobrado dinheiro para "my beauty hour" porque era um fato: eu estava falida. Pagando mais de cem reais, sobrevivendo a base de comida de origem duvidosa, era muito provável que quando voltasse ao Brasil, passaria por uma temporada na minha caminha da Minnie.

De repente, meus olhos saíram das órbitas. Era a minha vez, a minha vez! Ai Jesus, meu Jesus amadinho. Começo a achar que estava sob o efeito de drogas (leia-se chapada) pois não sei como consegui me locomover até a bancada. Subi na ponta dos pés, a essa hora todos já riam da minha aparente inibição. Respirei fundo. Suguei até o ar condicionado. É agora, um, dois, três e já! Mas eu não fui no já, então fiquei alguns segundos valiosos olhando para ela, eu olhava, ela retribuia o olhar com um sorriso. Até que disse uma coisa numa língua que eu não compreendi.

- Er... eu não falo inglês. (EU FALEI FINALMENTE, ALELUIA!)

- Ah sim, não tem problema. Eu falo inglês também. ( e quem NÃO sabe disso? Por favor!)

Silêncio de novo. Com a voz embargada, começei:

- Olha, meu aniversário é daqui alguns dias. Então gostaria de 3 presentes, se você pudesse dá-los, eu ficaria muito feliz. (tipo gênio da lâmpada?)

- Oui, prossiga...

- Então, eu posso...posso...tocar no teu cabelo? É que ele é tão lindo, tão sedoso, como tu tem tanto cabelo? Como?

Ela soltou uma gargalhada que quase ensurdeceu meus ouvidos. Os puxa sacos também se puseram a rir, achando que eu havia contado uma piada mega engraçada.

- Ué, claro.

E estendeu a cabeça para que eu pudesse tocar seus cabelos. Morrendo de medo de tocar, sem querer puxar e revelar para o mundo que usava peruca, coloquei a mão de leve. Era cabelo mesmo! E sedoso! Até fios brancos continha! Disse para Carol também colocar a mão e ficamos elogiando seu cabelo, até não dar mais. Depois deste "king kong", sobravam ainda meus dois pedidos:

- Depois eu gostaria de tirar uma foto das tuas mãos. Posso, posso? São as mãos mais femininas que eu já vi em toda minha vida. AH!

É né. Não se pode contrariar gente louca, vou ter que sorrir, ser simpática, como eu odeio ser cantora nessas horas. Ela deve ter pensado isso, provavelmente. Com a sua aprovação, batemos muitas fotos de suas lindas mãos. Meu último pedido: me dá um abraço?

Morri em ritmo de festa.

 postado por Ana & Jessica
sábado, 23 de fevereiro de 2008, às 10:16

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Modern Style





ficava imaginando Mireille vestida num vestido curtérrimo cantando "JEZEBEEEL CEST TOI", levando o Johnny Stark, o Paul Anka, Claude François, Julio Iglesias, todos a loucura de uma vez só. Eis que num momento, no agudo mais estrondoso (que é de praxe em suas músicas), ela rasgava o vestido, esticava a perna no pé da cama e esfregava sua pele, como se fosse arrancá-la de si mesma. Então, lembro bem das palavras que proferiu:


- Vamos fazer toda a maldição do mundo desaparecer, vem pra cá, vamos transar ao som de "Jezebel" , vem que você vai ver ouvir os agudos berrados ao pé do seu ouvido, eu te mato de satisfação primeiro. Depois lentamente como um veneno mortal, vou entrar dentro de você com sofreguidão, por fim matando-te, até não restar nenhum poro para contar história.


Ela dizia isso puxando os cabelos, via-se os fios caindo lentamente no carpete. Fazia gestos, como quisesse que algum deles a rasgasse por dentro e por fora. Mas eles, exceto Johnny não tinham porte para competir, tampouco aguentar um rojão como aquela pequena criatura de 1.53.
Portanto todos foram embora, restando apenas Johnny. Mireille o interrogava com os olhos, como a voz da justiça. Esperando alguma atitude, sentou-se na poltrona, acendeu um cigarro. Mas antes que pudesse tragar, ele tirou o cigarro de seus dedos.


- PORRA MIREILLE, JÁ TE DISSE QUE NÃO É PRA FUMAR! QUER FODER COM A TUA VOZ?


Ignorando completamente os protestos de Johnny, calmamente pegou outro cigarro, acendeu e desta vez o tragou, soprando a fumaça com satisfação. Assistindo a cena atônito, Johnny se perguntava como esta pirralha insolente ousou desobedecê-lo e pela segunda vez. Com seu orgulho de macho ferido, ele agarrou violentamente o braço fino e magro de Mireille e a sacudindo como uma boneca de pano, ordenou que parasse com suas insolências de garota.

- Você não é NADA meu, portanto largue meu braço e pare de tratar-me como se eu fosse uma menina idiota!

- Mas é o que você é: uma idiota!


- Idiota com a qual, você esta louco para se deitar. Seu corpo não esconde isso, Stark. Tarde demais para esconder-se.


- Bela maneira de dizer: eu sei que você está louco para me foder, já que esses garotinhos não dão o que eu quero. Tá esperando o quê, para abrir minhas pernas? Ora francamente Mireille, qualquer homem excitaria em ver uma mulher quase nua.


Se Mireille tivesse visto a cara que fez tsc tsc. Em seu rosto formou-se uma nuvem de tristeza, aliada ao desepero, leia-se fome juvenil. Não adiantava discutir, nada faria Johnny pensar que agora, com mais de 20 anos na cara, ela parecia tudo, menos uma menina inexperiente. Deitou-se na cama e ficou minutos que pareciam décadas olhando para o teto. Se fosse embora, estaria admitindo derrota. E esta palavra definivamente não existia em seu vocabulário. De repente, sentiu uma mão pesada em seu ombro. Ele. Johnny. Agora os olhos de Mireille faiscavam, pareciam sair de órbita.

- Queria pedir desculpas pelo jeito que falei com você. Não foi legal. Tava puto da cara porque eu demorei todo esse tempo pra fazer de você um exemplo para o país e você joga tudo isso pelo ralo quando traga esses malditos cigarros.

- Preferia quando você estava me xingando. Era mais convincente.

- Entenda Mireille, mas você sempre será uma criança, não importa se tiver 20,30 ou 40 anos. A imagem que eu terei sempre será da garota ingênua de Avignon.

- Acharia mais digno se me esbofetasse do que ouvir isso.

- Hoje é o lado masoquista que se manifestou? Ai assim você me faz rir...

Mireille apenas inclinou sua cabeça para o lado, soltando seu veneno mortal:

- Le temps qui court comme un fou
Aujourd'hui voilà qu'il s'arrête sur nous
Tu me regardes et qui sait si tu me vois
Mais moi je ne vois que toi
Je n'ai plus qu'une question
Tes yeux mes yeux....

Johnny não tinha mais tempo para recuar, o veneno havia penetrado-lhe o cerébro. Naquele dia, ele sugou toda e qualquer voz que restava em Mireille. E era assim que treinavam os famosos agudos que o país ovacionou e ainda ovaciona. E claro, os gemidos.

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 postado por Ana & Jessica
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008, às 10:31

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A vida por todos os lados



O amor versionado por:


Vizinha puritana: Todos os dias, ele, o meu Geraldo chega cansado do trabalho, então eu lhe recebo com um beijo. Preparo a bacia com água, ele coloca os pés nela e eu vou para cozinha descascar batatas. Jantamos vendo a novela. Uma hora depois, deitamos, cada um vira pro seu lado. A vida é assim e amor não enche mais boca de ninguém.


Mulher que fará 40 anos de casado ano que vem: O que restou de nós? O que resta é o companherismo, o cheiro do outro. O sexo é uma coisa que o tempo vai levando, como o vento que levanta a poeira. Depois de um tempo você esquece que existe até! Sobraram as fotos, lembranças de uma vida inteira. E o amor, que agora é tão solido quanto uma pedra de gelo, que está congelada e que não consegue ser derretida por forças maiores. Eu olho para os olhos dele, depois levanto a cabeça para o céu e finalmente penso: Deus realmente existe.

A moça de 17 anos: Quero o homem da televisão. E se não for ele, não será com mais ninguém. Não acredito no amor. Digo, no de homem e mulher. Minha mãe e meu pai nunca mostraram outro sentimento, a não ser o ódio um pelo outro. Portanto, não tenho um bom exemplo em casa. Começa aí. O amor é uma coisa que a gente vê no cinema e talvez em todas as pessoas do mundo que sempre parecem mais felizes que nós. Prefiro cultivar o amor próprio. Quero ver quem me faça mudar de idéia.

Um cara qualquer: Amor pra que, quando existe o sexo?

O sensível: Beijar o pescoço cheirando a lavanda da Mírian. Pegar na sua mão. E ver seu sorriso, seus dentinhos levemente fora do lugar. Isso é o amor. Tesão pode cair bem também. Afinal os dois caminham juntos. Amor é ter sido chutado pela Mírian e mesmo assim, com o orgulho do homem ferido, continuar indo atrás.

Resposta da Mírian: Darling, você correu atrás porque quis ok? E não se arrependeu. Posso chamar de amor quando esse mala que falou acima, cola os lábios nos meus (parece que vai e sugar inteira!) e mente que me ama. Não quero correr riscos de cair na realidade e descobrir que ele não me ama. Chamem do que quiserem. Mas eu não vivo sem ele.

Mireille Mathieu: A melhor maneira de dizer eu te amo, é cantando. As vezes nós transformamos nossas vidas em canções, que por hora transformam-se em trilhas sonoras de vidas inteiras, de amores e desamores. Cantar o que as pessoas sentem não é para qualquer um. É preciso uma pitada de sofrimento somada com muita sensibilidade. Eu vivo o que canto. Se eu não viver, estarei oca por dentro. Tudo é real. Choro porque sou humana e cada canção que canto tem um pouco de minha vida. Por isso que fico tão orgulhosa quando eles se levantam, ovacionam, pedem bis! Vivo para isso. Eles são o homem que amei por toda a vida. This is la vie en rose.


"E a vida maldita atropelou o amor nos trilhos de um trem"

 postado por Ana & Jessica
sábado, 16 de fevereiro de 2008, às 17:05

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